Após 13 dias do feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, equipes da Polícia Civil estiveram na residência onde o crime aconteceu e realizaram reprodução simulada. Entre os presentes estava o vizinho da vítima, que ajudou os policiais militares a entrarem no imóvel e deter o autor, Caio Nascimento, que acabou preso em flagrante.
Sem se identificar, a testemunha relembrou os momentos vividos no dia do crime. À reportagem, o morador contou que ao ouvir os gritos de Vanessa, correu e bateu no portão para tirar a atenção do agressor, que havia acabado de desferir três golpes de faca no tórax da vítima.
“Eu e todos os vizinhos aqui ligamos para polícia. E foi muito rápido, de três a quatro minutos. Aguardei eles chegarem, porque lá é cerca elétrica, concertina e os portões fechados, então não tem como pular”, disse.
Com a chegada dos militares, o homem ajudou a arrombar o portão de elevação, momento em que os agentes entraram na residência e prenderam Caio em flagrante.
“Os gritos dela eram desesperadores, assustadores. O sentimento é que eu podia ajudar. Espero que a justiça seja feita”, afirmou.
Ao relembrar de Vanessa, o vizinho contou que a jornalista era bastante discreta e não tinha ouvido nada sobre ela. Além disso, relatou que nunca havia visto Caio pela vizinhança. Durante a reprodução simulada, diversos policiais estiveram no local, que teve a rua fechada por viaturas. Os trabalhos duraram cerca de três horas e não contou com a presença do autor do crime.
O feminicídio
Caio Nascimento, de 35 anos, matou Vanessa Ricarte com três facadas na região do tórax. A vítima foi à Deam solicitar medida protetiva contra o agressor, após conseguir escapar de uma situação de cárcere e privado. O agressor foi preso em flagrante pelo feminicídio.
Após ser encaminhada ao hospital, Vanessa não resistiu aos ferimentos e morreu pouco antes da meia noite, no dia 12 de fevereiro. A jornalista foi a 2ª vítima de feminicídio no ano em Mato Grosso do Sul e a primeira na capital.
Descaso no atendimento
Poucas horas antes de ser assassinada pelo ex-noivo, Caio Nascimento, Vanessa Ricarte compartilhou com uma pessoa próxima áudios que revelam como foi o atendimento dela ao pedir medida protetiva contra o agressor na Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher).
Nos áudios, Vanessa relatou que havia acabado de deixar a delegacia, onde solicitou medidas protetivas contra Caio, e disse entender o “porquê de não ter acontecido nada com o Caio”,
Ao tentar ter acesso às informações sobre o ex-noivo, foi informada que não poderiam passar nenhuma informação, pois isso “era sigiloso”. “Parece que tudo protege o cara, o agressor”, desabafou a vítima.
-
Caso Vanessa Ricarte: polícia faz reprodução simulada de feminicídio
-
O que já mudou na rede de proteção às mulheres após feminicídios?
-
Vanessa Ricarte: delegadas envolvidas em caso não serão afastadas