Em depoimento nesta segunda-feira (24), o subtenente da Polícia Militar, Elias Ribeiro da Silva, de 54 anos, acusado de assassinar o segurança Claudemir Sá Ribeiro, 26 anos, em um bar de Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, afirmou que o jovem seria membro de uma facção criminosa e, por isso, atirou contra ele.
No entanto, o delegado de Juína, Ronaldo Binoti Filho, responsável pela investigação, afirmou que a versão é completamente fantasiosa, como ficou comprovado nas imagens de videomonitoramento e nos depoimentos das testemunhas.
“Ele atirou à queima-roupa contra um rapaz completamente inocente, que estava mexendo no celular quando fora atingido, simplesmente pelo fato de não ser correspondido pelas mulheres com quem esteve durante o dia. As imagens são completamente repugnantes e não condizem com o comportamento esperando por integrantes das forças de segurança”, disse o delegado.
O delegado representou pela conversão da prisão em preventiva. O suspeito, que também é diretor de uma escola militar da cidade, e deve passar por audiência de custódia.
O caso
Elias é suspeito de matar, à queima-roupa, o jovem Claudemir, que ficou conhecido em Colniza por construir uma réplica do avião A-29 Super Tucano, da Força Aérea Brasileira (FAB), usando materiais reciclados como madeira, zinco, metalon e até um motor de Fusca.
O jovem foi assassinado por Claudemir, que agiu em parceria com o irmão, em um bar da cidade. O crime foi filmado por uma câmera de segurança.
Nas imagens, é possível ver o suspeito se dirigindo à mesa em que Claudemir estava com o irmão e mais um rapaz. O diretor disse poucas palavras e logo sacou uma arma da cintura e atirou no peito da vítima, que tentou correr, mas morreu logo depois.
Elias fugiu após o crime, mas foi localizado em sua casa e preso, sem oferecer resistência. A arma do crime foi apreendida.
O irmão da vítima foi ouvido pela Polícia Civil e disse que o PM foi à mesa acusando Claudemir de ser integrante de uma facção criminosa. Em seguida, sem que a vítima reagisse, atirou.
A ex-namorada de Claudemir também foi ouvida. Ela esteve com o suspeito durante o dia no bar em que o crime aconteceu. A mulher relatou que, quando estava em outra mesa com o suspeito, Elias apontou para Claudemir dizendo que ele era faccionado. A ex-namorada negou que o jovem pertencesse a alguma facção, mas o Elias teria discutido com ela insistindo na afirmação.
Ela disse ainda que saiu da mesa e, quando retornou, passou por Claudemir e cumprimentou o ex-namorado, ação que teria causado revolta no PM. Devido a isso, ela foi embora do bar e não presenciou a execução.
Uma funcionária do bar disse à polícia em depoimento que o suspeito havia chegado ao estabelecimento com algumas mulheres e pagado cervejas a elas. Porém, depois de um tempo essas mulheres sentaram na mesa em que Claudemir estava com o irmão.
O suspeito teria reclamado da ação com funcionários do bar, dizendo que ele teria pagado bebidas a elas e, agora, elas “estavam sentadas com faccionados”. A funcionária do bar disse, ainda, que o Elias teria falado em “matar todo mundo”.
O subtenente preso também foi ouvido. Em seu interrogatório, ele alegou que, ao sair do banheiro, teria sido abordado por alguém dizendo que o “disciplina” de uma facção criminosa queria falar com ele e que esse “disciplina” seria Claudemir.
O policial afirmou que o motivo seria que ele estaria oprimindo “irmãos da facção” no colégio militar em que o suspeito é diretor. Ele disse, ainda, que teria ocorrido uma discussão e Claudemir teria se levantado e feito menção a sacar uma arma, o obrigando a reagir.
Essa versão, segundo o delegado, não é verdadeira.