Os cortes na ajuda dos EUA forçaram Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) a suspender ou reduzir muitos programas no Líbano, com mais da metade das crianças menores de dois anos enfrentando pobreza alimentar severa no leste do país, comentou uma funcionária do Unicef nesta sexta-feira (28).
“Fomos forçados a suspender ou reduzir drasticamente muitos dos nossos programas, e isso inclui programas de nutrição”, relatou a representante adjunta do Unicef no Líbano, Ettie Higgins, a repórteres em Genebra por meio de um link de vídeo de Beirute.
Mais do que o dobro do número de crianças enfrentou escassez de alimentos nas regiões orientais de Bekaa e Baalbek do país em comparação a dois anos atrás, segundo um relatório da agência infantil que estudou o impacto de 14 meses de hostilidades entre o Hezbollah e Israel que começaram em outubro de 2023.
“A avaliação revelou um quadro sombrio da situação nutricional das crianças, particularmente nas províncias de Baalbeck e Bekaa, que permaneceram densamente povoadas quando foram repetidamente alvos de ataques aéreos”, falou Higgins.
Quase 80% das famílias precisavam de apoio urgente e 31% das famílias não tinham água potável suficiente, colocando-as em risco de doenças, concluiu o relatório.
O Unicef alertou sobre o impacto dos cortes de ajuda dos EUA e um declínio mais amplo no financiamento humanitário global.
“Mais de meio milhão de crianças e suas famílias (no Líbano) correm o risco de perder o apoio financeiro crítico das agências da ONU neste mês. Esses cortes tirariam dos mais vulneráveis sua última tábua de salvação, deixando-os incapazes de pagar até mesmo as necessidades mais básicas”, acrescentou Higgins.
Apenas 26% do apelo do Unicef para o Líbano em 2025 é financiado.
Um cessar-fogo encerrou o conflito no Líbano em novembro, que começou quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel em 8 de outubro de 2023 em apoio ao seu aliado palestino Hamas.
Cerca de 3.800 pessoas foram mortas e mais de um milhão foram deslocadas por ataques aéreos israelenses no Líbano, enquanto dezenas de milhares de israelenses foram deslocados no norte de Israel.
O presidente Donald Trump ordenou uma pausa de 90 dias em toda a ajuda externa em janeiro para realizar uma revisão para garantir que todos os projetos estivessem alinhados com sua política “América Primeiro”.
Na quarta-feira (26), o governo americano disse que estava cortando mais de 90% dos contratos de ajuda da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional.