Os métodos de ensino do instrutor de uma escola de formação de vigilantes levaram ao banimento do profissional e geraram revolta entre os profissionais da área em Campo Grande. Vídeos mostram o professor da Escola de Formação de Vigilantes Defendi jogando água nos alunos com uma mangueira. Como estão deitados, muitos dos participantes se afogam ao levar os jatos de água no rosto, ouvido e dentro do nariz. Assista.
Suspeita de tortura
Diante da suspeita de excessos, a PF (Polícia Federal), que é responsável por fiscalizar as atividade de formação de vigilantes e seguranças, descredenciou o professor para dar aulas em escolas de segurança. A empresa também foi autuada e multada pelo ocorrido, apurou a reportagem.
Em grupos de vigilantes profissionais, onde os vídeos têm circulado, os agentes de segurança apontam os exageros e os indícios de tortura nos métodos adotados pelo instrutor. A reportagem entrou em contato com alguns dos denunciantes, mas eles não quiseram dar entrevista.
Procurada pela reportagem, a escola informou que “não tem nada a declarar” no momento. A reportagem ainda não conseguiu contato com o professor que aparece nos vídeos.
A situação ainda gerou manifestações de repúdio de instituições que representam a categoria.
“Violência entrema”
A CONTRASP (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Segurança Privada) repudiou os “graves e inadmissíveis atos praticados” pelo instrutor. Conforme a confederação, o instrutor colocou os alunos em sério risco.
“As imagens divulgadas expõem cenas de extrema violência e negligência, nas quais fica evidente o grave risco de afogamento e outras lesões físicas e psicológicas impostas aos alunos durante o treinamento. Tais métodos não apenas desrespeitam as normas técnicas e legais que regulamentam a formação de vigilantes, mas também colocam em perigo a vida e a integridade dos estudantes, ferindo princípios básicos de dignidade e segurança no trabalho”.
CONTRASP.
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A CONTRASP também não exime a escola de formação da culpa pelos métodos questionáveis de ensino adotados pelo professor.
“A CONTRASP considera inaceitável que uma instituição responsável pela capacitação de profissionais de segurança privada utilize práticas que banalizam a violência e o desprezo pela vida, em total desacordo com os princípios éticos e pedagógicos que devem orientar a formação na área”.
CONTRASP.
Diante do ocorrido, a confederação exige uma “apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos”, tanto na esfera administrativa quanto judicial.
Veja nota na íntegra
A instrução controversa também foi denunciada pelo presidente do SEESVIG/MS (Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança de Mato Grosso do Sul), Celso Adriano Gomes da Rocha.
Ainda conforme a CONTRASP, o Sindicato está “adotando todas as medidas jurídicas necessárias para garantir que casos como esse não se repitam”.