O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) isentou de envolvimento no assassinato da adolescente grávida Emelly Beatriz Azevedo Sena, de 16 anos, os três homens inicialmente apontados como possíveis suspeitos: o marido, o cunhado e o irmão de Nataly Helen Martins Pereira, de 25 anos, acusada de ter cometido o crime para roubar o bebê da vítima, em Cuiabá.
O prazo final para Nataly apresentação da defesa é neste domingo (6).

Segundo o promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo, responsável pela denúncia contra Nataly, não há qualquer indício consistente que ligue os três homens ao caso.
“O delegado no dia [do crime] liberou as três pessoas, o marido, o cunhado e o irmão. São pessoas que colaboraram com a polícia desde o primeiro momento. Nós lemos o processo da Nataly e todos tem álibis”, afirmou o promotor em entrevista.
O promotor reforçou que os álibis apresentados são robustos, com comprovação por imagens e testemunhas.
“Todos tem álibis de câmeras: um no Jardim Itália, o outro em um restaurante, o outro em um hospital. Além de terem álibis de pessoas também. Então, não é que existem provas fracas em relação a eles, é que não existe nada em relação a eles”, destacou.
Rinaldo destacou ainda a importância do trabalho de investigação para evitar injustiças.
“Eu queria destacar a importância do trabalho policial, porque se fosse feito ‘justiça com as próprias mãos’, possivelmente aquelas três pessoas poderiam ser mortas. É, por isso que é importante investigar“, reforçou o promotor.
Assassinato de Emelly
A denúncia contra Nataly Helen foi aceita pela Justiça em 27 de março. Conforme as investigações, ela atraiu a vítima com a promessa de doar roupas a Emelly, a imobilizou e a asfixiou.
A autora confessa do crime foi indiciada por homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, asfixia, meio cruel e dissimulação), ocultação de cadáver, registro de parto alheio como próprio e uso de documento falso.
Sobre o andamento do caso, o promotor completou:
“Falta o delegado analisar ainda a participação intelectual – mensagens de celular – mas até agora não tem nada. No direito penal existe um princípio chamado da responsabilidade pessoal, da transcendência”, explica.

Nataly está presa em uma cela individual na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, desde o dia 13 de março.
Caso todas as qualificadoras e crimes sejam aceitos pelo Tribunal do Júri, ela pode ser condenada a até 90 anos de prisão. O MPMT espera que o julgamento ocorra ainda este ano.
O caso
Em 12 de março, Emelly desapareceu após sair de casa, em Várzea Grande, com destino a Cuiabá, onde buscaria roupas doadas para sua bebê.
No mesmo dia, no fim da tarde, um casal procurou o Hospital Santa Helena solicitando uma declaração de nascimento para uma recém-nascida, alegando que o parto havia ocorrido em casa.
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Os médicos solicitaram exames da suposta mãe, que inicialmente recusou, levantando suspeitas. Após insistência, ela realizou os procedimentos, que constataram a ausência de sinais de parto recente, como a produção de leite materno.
O casal foi conduzido à Central de Flagrantes, enquanto a criança permaneceu sob cuidados médicos.
Imagens das câmeras de segurança do hospital às quais o Primeira Página teve acesso mostram o momento que Nataly chegou a unidade com a criança para tentar fazer o registro no mesmo dia em que havia cometido o crime.
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A localização do corpo
Na delegacia, os policiais interrogaram o casal e a mulher reafirmou que o parto ocorreu com ela sozinha, na casa do irmão.
Desconfiados, os policiais se dirigiram à casa indicada pela mulher, no bairro Jardim Florianópolis. Nos fundos da propriedade, encontraram o corpo de Emelly enterrado em uma cova rasa, com as pernas expostas e o abdômen aberto.
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Suspeitos e primeiras prisões
Nataly e o marido foram os primeiros detidos, quando estiveram no hospital, apontados como responsáveis pela morte.

Na manhã de quarta-feira, antes da prisão, o marido havia publicado a foto de um bebê em uma rede social, o que levantou fortes suspeitas de seu envolvimento no crime.
Na residência onde o corpo de Emelly foi encontrado, o irmão de Nataly e o cunhado da autora foram presos. Os dois haviam limpado o sangue espalhado pela casa após a acusada informá-los sobre o falso parto natural.
Nataly também usou do sangue de Emelly para fingir que era do parto dela.
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Modus operandi
Nataly tinha engravidado, mas perdeu a criança em setembro de 2024. No entanto, ela manteve a falsa gravidez. Nas redes sociais, ela compartilhou diversos registros do período que esteve gestante, como o chá de revelação do sexo da criança.
Para manter a falsa gravidez, Nataly começou a procurar mulheres grávidas que desejassem doar o bebê após o parto. Vídeos encaminhados à TV Centro América mostram uma dessas tentativas.

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Por não conseguir encontrar alguém que quisesse doar a criança, Nataly chegou até Emelly por meio de grupos de mensagens na internet com a promessa de doar roupas.
Nataly pagou uma corrida de aplicativo para Emelly ir até sua casa, no Jardim Florianópolis. Lá, ela matou a adolescente.
Depoimentos e detalhes do crime
Além dos quatro detidos, outros familiares e amigos, tanto da vítima quanto da suspeita, foram levados à delegacia para prestar depoimento.
O pai de Nathaly afirmou que a filha agiu sozinha, embora tenha envolvido familiares após o crime.
Em seu depoimento, Nataly confessou ter assassinado Emelly por conta própria. Ela atraiu a adolescente com a falsa promessa de doar roupas para o bebê que estava prestes a nascer. Sem demonstrar arrependimento, descreveu com detalhes como cometeu o crime.

Segundo o depoimento, a mulher atacou a jovem pelas costas, aplicando um golpe conhecido como “mata-leão” enquanto ela estava sentada em uma cadeira.
Com Emelly desacordada, Nataly usou um fio de internet para amarrá-la e arrastou a vítima até um quarto, onde iniciou a retirada do bebê. A suspeita afirma que acordou a jovem e disse que “iria cuidar da criança”.
A criança foi arrancada de Emelly enquanto ela ainda apresentava sinais vitais.
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Velório e repercussão
O velório de Emelly ocorreu na manhã de sexta-feira (14), na Funerária Capelas Jardins, em Cuiabá. Tristeza e revolta marcou o último adeus à jovem.
Família, amigos e colegas carregavam cartazes com frases pedindo justiça.
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