A ONU afirmou nesta quinta-feira que 28 milhões de pessoas enfrentam fome aguda na República Democrática do Congo, um recorde para o país, número que foi impulsionado por um conflito crescente entre o governo e os rebeldes apoiados por Ruanda no leste.
Uma crise humanitária de longa data na RD Congo foi agravada pelo conflito, com mais 2,5 milhões de pessoas passando fome aguda desde o surto mais recente de violência em dezembro, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em uma declaração conjunta.
Aqueles que enfrentam fome aguda são classificados como Fase 3 ou superior na Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC). Das 28 milhões de pessoa nesta situação no país, 3,9 milhões estão na Fase 4, o que significa que estão passando por níveis emergenciais de fome.
O país tem uma população de mais de 100 milhões de habitantes.
Os combates entre o governo e os rebeldes do M23 apoiados por Ruanda aumentaram desde o início do ano, criando o maior conflito no leste do Congo em décadas. A situação deslocou centenas de milhares de pessoas.
“A situação atual é terrível para a população, pois as colheitas são perdidas, os preços dos alimentos disparam, milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda e estão cada vez mais vulneráveis”, advertiu Athman Mravili, representante interino da FAO na RD Congo.
Mais de 10 milhões das pessoas que enfrentam fome aguda estão no leste do Congo. Em outras partes do país, a inflação e a depreciação do franco congolês dificultaram que muitos tivessem o suficiente para comer, explicou a declaração.
Os cortes dos Estados Unidos e outros doadores importantes em sua ajuda externa deixaram as agências humanitárias com dificuldades para responder aos impactos do conflito, desastres naturais e mudanças climáticas.