A Justiça de São Paulo determinou que o policial militar Vinicius de Lima Britto seja julgado em júri popular. O PM matou a tiros Gabriel Renan da Silva em uma loja da rede de mercados Oxxo, da Avenida Cupecê, na zona Sul da capital. A vítima tentava roubar produtos de limpeza e foi atingida pelas costas.
A juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, da 5ª Vara do Júri, também negou o pedido da defesa do PM de responder ao processo em liberdade. “Há também indícios suficientes da autoria, diante da prova testemunhal colhida, em especial pela confissão do acusado e pelas imagens de câmera de segurança do local onde os fatos se deram”, apontou a juíza.
Para a decisão, a juíza levou em conta que houve uma reação desproporcional em relação à gravidade do crime. Ainda foi considerado o número de disparos que acertaram a vítima, foram onze disparos, e o fato dele ter sido atingido pelas costas, enquanto tentava fugir do local.
As imagens das câmeras de segurança foram analisadas e segunda a juíza, a vítima teria sido pega de surpresa, após cair, enquanto tentava pegar as mercadorias furtadas. Este fato descarta a versão do policial, de que o jovem teria feito menção de estar armado, o que, na versão dele, justificaria os disparos.
Foi apontado também, que outras pessoas estavam no local do crime e precisaram procurar abrigo para sair da linha de tiro e poderia ter acertado os motociclistas que estavam na calçada.
A testemunha do caso, que trabalhava como caixa do mercado no momento do ocorrido, relatou ter sido coagido a um primeiro testemunho, no qual teria dito que a vítima afirmou estar armada, confirmando a versão do PM.
O caixa do mercado disse que policiais foram em seu local de trabalho no dia do ocorrido e nos dias seguintes, o que lhe causou medo. Os agentes teriam dito que o policial Vinícius teria salvo a vida dele, pois a vítima poderia estar armada.
O tribunal do júri, ou júri popular, é formado por um corpo de jurados que são pessoas comuns escolhidas para decidir sobre se o réu deve ser considerado culpado ou inocente. Esse tipo de julgamento é previsto em casos de crimes dolosos contra a vida, ou seja, quando houve intenção de matar.
Sobre o caso
Gabriel Renan da Silva Soares, jovem negro de 26 anos, foi morto por um policial militar de folga em um supermercado na zona sul de São Paulo, no dia 3 de novembro de 2024.
Gabriel tentou roubar produtos de limpeza do estabelecimento, no momento em que o agente de folga comprava cigarros.
No boletim, o policial militar Vinicius de Lima Britto, relatou que questionou Gabriel devido ao roubo, e que o jovem teria afirmado que estava armado e colocado a mão dentro da blusa, e por isso o agente teria disparado contra ele ainda dentro do local.
No entanto, as imagens mostram que o jovem, que havia acabado de furtar itens de limpeza, escorregou quando tentou sair correndo do mercado e que em nenhum momento fez menção de estar armado. No circuito também é possível concluir que não houve diálogo, e que o policial acertou a vítima pelas costas.
Em conversa com a CNN, a advogada Fátima Taddeo, que é tia de Gabriel, contou que o jovem estava trabalhando no momento, porém enfrentava problemas causados pelo uso da droga K2, um tipo de maconha sintética com alto potencial destrutivo. A família não nega que Gabriel estivesse furtando o mercado.
De acordo a perícia, foram encontradas 11 perfurações no corpo de Gabriel: três no tórax, dois na mão esquerda, um no antebraço esquerdo, três no antebraço direito, um na orelha direita e uma no rosto.