A Polícia Civil de Mato Grosso está investigando a agressão sofrida por um adolescente de 12 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), dentro da Escola Estadual Antônio Epaminondas, no bairro Lixeira, em Cuiabá. (Veja o vídeo no final da matéria)
A Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) está ouvindo outros alunos que estavam presentes no momento dos fatos para esclarecer o ocorrido.
A investigação foi iniciada após a mãe do estudante, Viviana Oliveira, de 38 anos, registrar um boletim de ocorrência na segunda-feira (24), depois de ter acesso a um vídeo que comprova as agressões sofridas pelo filho.
A gravação, feita por outros alunos no banheiro da escola, circulou em grupos de WhatsApp e mostra o adolescente sendo hostilizado enquanto outros estudantes assistem sem intervir.
Com a repercussão do caso, a DEA instaurou um procedimento para apurar o ato infracional e já intimou o estudante apontado como agressor para prestar depoimento, por meio do representante legal.
A delegada responsável, Jozirlete Criveletto, ressaltou que as imagens foram gravadas no dia 12 de fevereiro e que o caso será encaminhado ao Judiciário assim que as diligências forem concluídas.
Além disso, a delegada alertou pais e responsáveis sobre a importância de orientar seus filhos sobre respeito e convivência escolar, destacando que práticas como bullying, ameaças e outros tipos de violência podem resultar em medidas socioeducativas para os autores.
Viviana relatou que o filho já vinha sofrendo perseguição e agressões físicas por um colega desde o ano passado. Na sexta-feira (22), ele chegou em casa nervoso, dizendo que o mesmo estudante o xingou, apertou seus dedos, o ameaçou e o agrediu com um pedaço de madeira.
Preocupada, a mãe foi até a escola conversar com a coordenadora Patrícia, mas, segundo ela, as funcionárias minimizaram a situação e culparam seu filho por supostamente perseguir o outro aluno, alegando que ele não era violento.
“Agora me sinto muito abalada. Me culpo o tempo todo por não ter acreditado no meu menino. No dia do fato, fui até a escola, e lá três funcionárias culparam meu filho, enquanto ele, o tempo todo, falava a verdade. Se não fosse o vídeo, eu nunca iria saber”, desabafou Viviana.
A mãe também solicitou as imagens das câmeras de segurança da escola, mas, até o momento, não recebeu retorno da unidade de ensino. O adolescente passou por exame de corpo de delito na segunda-feira (24), e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) informou que está acompanhando o caso e que uma equipe psicossocial foi designada para atuar na unidade escolar.
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