Em pronunciamento ao país em sua live noturna, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que confia na solidariedade da Europa, no “pragmatismo da América” e que espera uma conversa “construtiva” nesta quinta-feira (19) com o enviado da Casa Branca para a guerra, o general Keith Kellog, em Kiev. Kellog já está na capital ucraniana onde se reuniu nesta quarta-feira (18) com nomes do alto escalão do governo.
As tratativas contrastam com o clima tenso entre Zelensky e Donald Trump após a Ucrânia ser excluída das conversas entre as diplomacias americana e russa por um acordo de paz em Riade, capital da Arábia Saudita.
Desde que tomou posse, Trump tem desenvolvido uma aproximação entre Washington e Moscou, tirando Putin do isolamento ocidental dos últimos anos.
Trump chamou Zelensky de “ditador sem eleições” nas sua rede social (por seguir no cargo mesmo após o fim do mandato em 2024) e disse que se o líder ucraniano não agir rápido para garantir a paz, não terá mais um país.
A Ucrânia está sob Lei Marcial por causa da guerra, o que impede novas eleições. Zelensky disse que Trump vive num ambiente de desinformação.
A troca de farpas é o sinal mais visível do fim do apoio irrestrito dos Estados Unidos à Ucrânia. O antecessor na Casa branca, Joe Biden, enviou bilhões de dólares em ajuda financeira e militar ao governo Zelensky.
Já, Trump exige contrapartidas para o socorro na guerra, com a primeira oferta recusada. Zelensky rejeitou o plano de exploração de riquezas minerais da Ucrânia no valor de US$ 500 bilhões proposto pelos Estados Unidos.
O ucraniano afirma que a proposta não oferece garantias de segurança no pós-guerra e que não pode colocar o país à venda. Pela segunda vez nessa semana, líderes europeus se reuniram em Paris para discutir a posição do continente em relação ao futuro da guerra.
O presidente francês, Emmanuel Macron e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, vão a Washington na semana que vem para um encontro com Donald Trump na tentativa de unir a Europa com os Estados Unidos novamente.
No campo de batalha, os confrontos aumentam. Militares ucranianos disseram que os ataques no leste do país se intensificaram “drasticamente” nos últimos dias à medida em que avançam as negociações com o Kremlin para o fim da guerra.